março 28, 2011

Naufrago Irreal

Ao abrir os olhos, sua visão era embaçada. A negritude da noite ajudava a impossibilita-lo de enxergar. Se os lábios cerrados ele abrisse, sabia que seria seu fim. seus sentidos estavam congelados. Ele não conseguia se mover, ele não queria fazer isso. Mas ele precisava respirar ou então morreria ali. Não que ele se importasse, não mesmo. Sua vida desgraçada cedo ou tarde acabaria. Ele se encontrava submerso, submerso em pensamentos. Estava o mais próximo do fundo possível e, embora não quisesse, seus instintos falaram mais alto. Seu corpo lhe gritava, lhe implorava desesperadamente: "Respire!". Submerso em pensamentos, ele lutou. Travou uma batalha silenciosa contra si mesmo, contra sua própria vontade. Finalmente encontrou a válvula de escape. Aos poucos alcançava a superfície, aos poucos alcançava a realidade. Subitamente respirou fundo, abriu os olhos, resfolegava como nunca o havia feito antes. Já não estava mais submerso. Olhou ao seu redor e um suspiro de decepção ecoou pelo quarto desarrumado. O peso do trabalho, da faculdade, das amantes, dos pais, dos vicios, de todos os seus problemas caiu sobre sua cabeça, fazendo-a arder como se estivesse em chamas. Ele queria se sentir leve novamente... Queria sentir a sensação de estar submerso. Não demorou muito para que o transe o levasse ao ponto mais profundo de seus pensamentos. Ele podia sentir a dor esvaziar-se.
Viver é dificil. A fuga da realidade é mais fácil. Existe porém, uma válvula de escape, que encontramos quando julgamo-nos suficientemente fortes para aguentar todos os pesos da vida, ou ao menos tentar passar por eles. É essa válvula que nos trás de volta ao mundo real. Ele, porém, nunca mais a encontraria.

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